27.4.07

Berlim V - Instantâneos




(todas as fotografias de Urso Polar)

25.4.07

Pouco original


O filme "Wild Hogs" é mais do mesmo. Previsível do principio ao fim, este filme não traz nada de novo. Estamos perante quatro indivíduos com crises de meia-idade que se fazem à estrada de mota. Vão viver aventuras já desenhadas em dezenas de outros filmes para no fim se sairem, naturalmente e à americana, bem. Pelo meio ficam algumas piadas, alguns gags, que até podem provocar um ou outro sorriso.
Filme pastilha-elástica para mastigar um pouco e deitar fora de seguida, é daquelas coisinhas que não vale mais que uma estrelinha, e graças ao genérico final.
Se não fosse o Medeia Card, seguramente não tinha perdido dinheiro, pois desde o cartaz que se percebe que este, não vale mesmo a pena.

25 de Abril

Pelo dia de hoje, relembro um post recente, de 13 de Fevereiro, com a ajuda de Jorge Palma.

Picado Pelas Abelhas

Ainda mal o sol nascera
Já a multidão descera à praça principal
Era o grande ajuste de contas
E as pessoas estavam prontas a acabar de vez com o mal
Tinham sido anos a fio
A lutar com a fome e com o frio
Ao som de promessas de pão e de conforto
Agora o povo queria o poder
Já não tinha mais nada a perder
Quando um homem tem vida de cão
Mais lhe vale ser morto

O sangue correu pelo chão
Em nome da revolução e o povo acabou por vencer
Celebrou-se a liberdade
A igualdade e a fraternidade que acabavam de nascer
Mas ao chegar a vez de cada um
Trabalhar para o bem comum
Aí começaram os dissabores
E em vez de ficarem unidos
Dividiram-se em mil partidos
Lá no fundo, todos queriam ser Ditadores

E as crianças pareciam feias
No meio de tanta gente velha
Eu ouvi alguém gritar:
"Meu Deus, estou todo picado pelas abelhas!"
Picado pelas abelhas, picado pelas abelhas....

E agora um traficante com ar obsceno
Vai vendendo o seu veneno a quem trouxer o dinheiro na mão
E um consumidor diz baixinho que tem falta de carinho
Ao ser arrastado para a prisão
E um vagabundo cheio de aguardente
Diz que o desejo há-de estar presente
Até ao fim da cerimónia
Enquanto um poeta com ar cansado
Diz: "Antes só que mal acompanhado!"
E arranca para mais
Uma noite de insónia

E as crianças parecem velhas
No meio de tanta gente feia
Eu continuo a ouvir gritar:
"Meu Deus, estou todo picado pelas abelhas!"
Picado pelas abelhas,
picado pelas abelhas....


Aqui (http://urso-polar.blogspot.com/2007/02/picado-pelas-abelhas.html)

Nota: o Blogger não é totalmente compatível com o Safari e o Mac OS X, pelo que no editor de texto não tenho todas as funções disponíveis. Não estranhem, por isso, a incapacidade para colocar links, mexer nos tipos de letra ou formatar os parágrafos. Aparentemente, apenas 4% dos bloggers usam o Safari, e por isso os tipos não estão para investir na compatibilidade.

24.4.07

Dinamarca



"En Soap", «Sexualidades» em português, é um filme dinamarquês sobre pessoas "avariadas". Charlotte rompeu uma relação de quatro anos, mudando-se para um pequeno apartamento numa zona mais pobre, e vive sem sequer desempacotar as suas coisas, no limbo da relutância em assumir um novo futuro. Conhece então Verónica, na realidade Ulrik, que anseia pelo momento em que o Estado o autorize a fazer a operação de mudança de sexo, pela qual anseia como sendo o seu futuro. Ambas temem o presente, e ambas se envolvem numa relação de dependência que as ultrapassa alimentando o desnorte.

Os traços do cinema dinamarquês mais conhecido, como o de Lars von Trier, estão presentes, evidentes. Mas contrariamente à força e sedução (por vezes doentia) que este realizador põe nos filmes, "En Soap" deixa-se um pouco à deriva e perde-se deixando esmorecer a força das duas interpretações principais.

Sem dúvida interessante, não ultrapassa, contudo, a fasquia da mediania.

Em Berlim ganhou o Urso de Prata.

23.4.07

Aprendizagem


Este fim de semana aprendi a velejar. O básico, o mínimo, mas a verdade é que já sou capaz de pegar num barquinho destes,


e levá-lo a um destino à vista.

Claro que ajuda se o vento for certo e não exageradamente forte, e o percurso seja num sítio onde não haja ondas desmesuradas.

Aprendi aqui, na Escola de Vela da Lagoa, na Lagoa de Óbidos, Foz do Arelho. Graças ao INATEL que promoveu este curso com um preço simpático, foram oito horas de diversão, das quais apenas a primeira foi teórica, a que se seguiu a montagem dos barcos e arranque para a água. O instrutor andava num barco a motor para auxiliar quem precisasse (houve quem virasse o barco), e corrigir os erros que todos, a dado momento, faziam.

A experiência foi incrível, e adorei navegar à vela. Qualquer dia irei lá voltar para alugar um destes catamarãs e dar uma voltinha.

Um aviso: dadas as exigências físicas quer alguma força quer de posição a assumir (ao princípio fazemos sempre as coisas de maneira mais difícil, não é?) hoje estou um pouco "partido". Mas vale a pena. Garanto.

19.4.07

Berlim IV - A memória

Berlim guarda a memória dos tempos. Não só do muro, da divisão, da Alemanha a duas velocidades, do Leste e do Oeste. Também da II Guerra Mundial. Também dos tempos imperiais. Porém, não há dúvida que a divisão do muro é a que trás mais memórias e curiosidade. Por isso se vêem pedaços do muro, alguns muito grafitados, se vê a reconstrução do Checkpoint Charlie, e se mantém o ícone de Leste de Alexanderplatz. Ora vejam.
E terminem com o que restou da Igreja Memorial Kaiser Guilherme após os bombardeamentos de 1944, e que foi preservado até hoje .

(fotografia de Urso Polar)

(fotografia de Urso Polar)

(fotografia de Urso Polar)


(fotografia de Urso Polar)

(fotografia de Urso Polar)

Berlim III - só imagem -

Este é o monumento à reunificação, em três fotografias onde faço uma reinterpretação da escultura. Outro ponto de vista, um pouco menos convencional.

(fotografia de Urso Polar)

(fotografia de Urso Polar)

(fotografia de Urso Polar)

18.4.07

Finalmente em casa

Este é o meu primeiro "post" a partir de casa. Finalmente, no meu iMac catita, tenho ligação à internet. O serviço é da Tele2. Perante algumas dificuldades a ligar-me contactei o apoio técnico telefónico onde fui muito bem recebido e me resolveram o problema, por agora. Estou a navegar a uma velocidade muito mais baixa que a contratada, mas ficaram de analisar a linha e descobrir o problema. E, deixem-me que vos diga que, para aceder ao apoio técnico, por telemóvel, apenas paguei € 0,35 por minuto. Sabem quanto pagam se pedirem apoio técnico, por exemplo, à TV Cabo, a partir de um telemóvel? Mais valia ligar para a Alemanha.

Berlim II - Bebelplatz




Em 1933, no dia 10 de Maio, o regime do III Reich desferiu um portentoso ataque à intelectualidade, cultura e conhecimento científico naquela que ficou conhecida como a noite da queima dos livros. Milhares de livros, em particular nos complexos universitários, alimentaram gigantescas fogueiras. Claro está que tudo não passou de um descarado saneamento dos "impuros" e as obras dos autores judeus (artísticas ou científicas) estiveram na primeira linha das chamas.

(foto de Urso Polar)


Em Berlim esse evento teve lugar na Bebelpatz, no coração da Humboldt Universität, frente à Faculdade de Direito.

(foto de Urso Polar)

Em memória a tal noite de horror, encontramos hoje no centro da praça uma obra cuja autoria desconheço e não consegui encontrar. No chão encontramos um quadrado, não muito grande, de vidro. Olhando através dele encontramos uma sala cujas paredes estão rodeadas de estantes. Vazias. A sala expressa a angústia do vazio, pois no branco das paredes e estantes se sente a falta dos milhares de livros que naquele dia encontraram o seu destino nas chamas de uma fogueira irracional.

(foto de Urso Polar)

Admito que a fotografia não será a melhor, mas nesse dia chovia.

16.4.07

No escuro da sala

Já um pouco requentada (vi-o há duas semanas) deixo aqui a minha opinião sobre o último filme de Nanni Moretti, "Il Caimano".
Não há dúvida que o realizador sabe realizar, sabe dirigir actores e sabe contar a história que tem entre mãos. Desta feita, mais do que tudo, e com o artifício do "filme dentro do filme", Moretti conta-nos a história da concentração de poder em Berlusconi, na ressaca da operação "mãos limpas" levada a cabo pelas magistraturas italianas. E ao fazê-lo revela toda a sua paixão pelo tema, ele que, homem de esquerda, viveu com angústia o apagamento dos partidos de esquerda perante a anestesiante investida de alguém que, escudado no seu domínio dos media, governou com prepotência os destinos da Itália. Quem não se lembra de Moretti a gritar para a televisão "Diz qualquer coisa de esquerda!" num debate para as eleições italianas.
Desta vez o realizador apenas aparece como actor durante um pequeno pedaço do filme. Mas chama a si o discurso final onde Berlusconi assume todo o seu poder e afronta a judicatura. As chamas em segundo plano, à medida que se afasta do Tribunal são reveladoras do negrume vivido no período relatado.
Pelo meio, estruturando todo o filme, a história de um produtor falhado e de uma argumentista/realizadora convicta e determinada.
Sem dúvida um grande filme, a merecer nota máxima. A ser visto e revisto. Porque temo que numa segunda leitura posso encontrar pormenores que me terão escapado.

"Sunshine - Missão Solar" é o terceiro filme de Danny Boyle, que nos deu o fabuloso Trainspotting e o muito agradável 28 Dias Depois. Neste filme conta-se a história de uma missão espacial que vai tentar lançar uma bomba do tamanho da ilha de Manhattan no Sol para reavivar a sua chama que se está a apagar.

Dentro da nave um grupo de astronautas vive as dificuldades do isolamento, e é posta à prova sucedendo-se as dificuldades, os desaires e... e o resto é a surpresa do filme.

O que trás de novo? Só o facto de os astronautas irem no sentido contrário àquele a que estamos habituados a ver. E, por isso, o Espaço é muito mais luminoso, quente, propiciando efeitos especiais espectaculares (se bem que demasiado ruidosos para meu gosto, tanto mais que no vácuo não há som...).

De resto está lá tudo o que é comum em ficção científica: o medo, o suspense, o incerto, a ciência versus Deus, a determinação de uns em benefício de outros. A alucinação, desta vez alimentada na luz solar.

Contrariamente à grande maioria das críticas que já li, não gostei da realização. Nada de novo trouxe, e a qualidade dos actores não chega para ultrapassar a confusão gerada pela visão do realizador. Desiludiu-me profundamente, e não consigo ir para além da nota 2. Não chega ver este magnífico sol.

12.4.07

Berlim I - a cidade

Berlim é uma cidade linda, cativante e cheia de informação, cultura, história.
Os seis dias que por lá andei apenas serviram para desejar mais tempo para me ligar àquela capital europeia.
Berlim exibe com orgulho as marcas da história, nem sempre agradável. Há edifícios que mantêm cicatrizes da Segunda Guerra Mundial, de estilhaços dos bombardeamentos e balas dos combates ou que se mantêm negros dos incêndios que então sofreram. Outros têm inúmeros remendos nas pedras da fachada para tapar tais feridas .
Berlim foi quase arrasada no final da Segunda Guerra Mundial. Sendo uma cidade que se estende em terreno plano, plano e sem fim, a reconstrução que teve lugar reergueu muitos edifícios antigos replicando-os, recuperou o possível e construiu uma nova malha citadina de acordo com padrões de escala muito diferentes dos nossos.
A escala de Berlim é monumental. Ruas larguíssimas, passeios tão largos como as nossas ruas, prédios pouco dimensionados em altura sem exageros, mantendo uma relação harmoniosa com o espaço envolvente. Aqui e ali erguem-se torres que contrastam com a altura média dos outros edifícios, que quebram o ritmo da cidade sem chocar, sem incomodar, antes pelo contrário, diversificando-a. E entre muitos desses prédios, abrem-se praças enormes, jardins, jardins interiores, vazios deixando a cidade respirar.
Quanto a respirar direi que o trânsito não é caótico ou intenso, pelo que, aliado às condições do clima respira-se um ar frio e pouco poluído. Cruzada pelo rio Spree e seus canais a cidade beneficia da calma das suas águas escuras, que constituem uma verdadeira via de circulação.

As fotografias ficam para a semana que vem. Este fim-de-semana quero tratar delas e depois divulgarei umas para acompanhar as futuras considerações que aqui irei partilhar sobre Berlim.

10.4.07

Questões fracturantes

(O Urso Knut)


Nos dias que passam, a sociedade berlinense encontra-se envolvida numa discussão apaixonante capaz de mover milhares de pessoas animadas por um sentimento de compaixão, e mesmo incompreensão.
O tema desta questão fracturante, que divide as opiniões, é, nada mais nada menos, que o pequeno Urso Knut.
Este adorável bicho nasceu no Jardim Zoológico de Berlim, e foi rejeitado pela mãe ursa. Os tratadores acorreram em seu auxílio e alimentaram-no a biberão. Fez agora três meses e passou a ser exibido, mostrando-se ao público no recinto. Eis senão quando um senhor, dirigente da associação dos defensores dos direitos dos animais (!) veio defender que o animal deverá ser abatido (!!!?).
Porquê? Defende esta iluminária que ao ser alimentado por humanos,com tanto afecto e contacto, o animal não foi criado segundo as regras da natureza e por isso seguramente desenvolverá disturbios de personalidade. Como tal, deverá ser poupado a tal destino e abatido agora que ainda é novo "emendando-se" já um erro cometido, sem se insistir no mesmo.
Ninguém explicou a este senhor que ter animais presos num jardim zoológico já é uma violação das regras da natureza, e que pode causar perturbações de personalidade nos animais? O que estará por trás de tamanha enormidade?
Não sei. Mas apercebi-me que uma onda de "solidariedade" corria Berlim, que de notícias lidas em alemão, que não percebo, dava a entender que já o Ministro da Justiça estava envolvido, e que mais de 75.000 pessoas já tinham ido ver o Urso Knut.
Agora em Portugal, depois de uma pesquisa na net, consegui ler a a história da polémica.
Não pude deixar de a contar, pois um Urso Polar tem que olhar pela sua espécia, oficialmente em vias de extinção.

8.4.07

De regresso

Eu já voltei.
A minha mala não.
Dizem que vem amanhã. Parece que quis ter mais férias que eu.

2.4.07

Pedimos desculpa por esta interrupçao. O programa segue dentro de dias.

Volto Domingo.
Até lá vou andar por terras de Berlim.
Até um Urso tem que passear de vez em quando.