21.2.19

Já não estás ali

A qualquer momento, por qualquer coisa que desperta uma série de pensamentos, ligações, associações de ideias, dou pela tua falta.
Ao fim de 47 anos, já não estás ali.
O vazio.
O vazio que não pode ser preenchido.
Engulo em seco. Paro. Perco-me. 
Até que me reencontro e continuo.
Tenho que continuar.
A percepção do milagre cósmico de uma vida deveria bastar. De uma vida de oitenta anos, ainda mais.
Mas o brilho desse milagre não é suficiente para obliterar este vazio. E, a qualquer momento, por qualquer coisa que desperta uma série de pensamentos, ligações, associações de ideias, dou pela tua falta.
Já não estás aqui.

18.9.18

Ignatius J. Reilly

Quando o tratamento que Theon Greyjoy teve às mãos de Ramsay Bolton [GOT] te parece adequado para um grupo de pessoas, algo vai mal.
Há dias de merda, com trabalhos de merda, por causa de gajos de merda.

18.12.17

Falta de cuidado

«Que faço eu aqui,
Com as mão manchadas de sangue?»

29.3.16

Memórias, imagens, coisas perdidas no tempo

Agora, quando vejo o mundo reflectido nos olhos de quem o descobre a todo o momento, sou surpreendido por memórias enterradas no correr dos anos. Memórias de eventos ou sensações que nem sonhava ter e que me dão perspectivas bem diferentes de épocas tão distantes.
A última, surgiu ao dizer adeus para sair de casa, sabendo que apenas nos voltaríamos a encontrar ao fim do dia. Recordou-me uma imagem recorrente, uma sensação que se entranhou nos tempos da primeira infância. O meu pai a sair de casa bem cedo «porque tem que ir "ganhar pão", tem que ir trabalhar», e só voltar ao fim do dia, muitas das vezes para trabalhar mais um pouco, no escritório, depois de jantar. E eu ver o meu pai como aquele bastião que se ausentava muito cedo mas sempre retornava, grande, forte. E eu queria estar perto dele, se possível ajudando-o (sendo que o mais certo era que a minha "ajuda" ainda lhe desse mais trabalho).
Era então mais novo do que eu sou hoje. E por isso tão depressa me sinto velho, como extremamente novo, numa permanente contradição a abraçar estas novas experiências tão reconfortantes.

10.3.16

Cibopata quê?

O detective Tony Chu consegue saber tudo sobre o que come. Por isso investiga trincando a torto e a direito, ainda que tenha que comer as vítimas... 
Num mundo louco, futurista, com as aves banidas da alimentação por causa das doenças, a polícia do tipo ASAE é toda poderosa. Cruzam-se pessoas com estranhas capacidades, e reforços cibernéticos numa divertida alegoria com desenhos cativantes e repletos de referências para os mais atentos.
Também já há três volumes em português.

FATALE

Também já estão disponíveis três volumes em português. 
Uma mulher que não morre corre o tempo arrastando para a desgraça os homens que consigo se cruzam e que não conseguem resistir à sua sedução. Entre o policial e o fantástico, com desenhos pesados, densos, negros, Fatale cativa por querermos adivinhar o que está para vir.

A saga do Bem e do Mal

Por ora temos três volumes, já disponíveis no nosso mercado.
A eterna luta do Bem e do Mal torna difícil perceber o porquê da sua existência. Já não há lados puros, e a guerra é sempre errada, independentemente dos pontos de vista. 
Pelo meio de uma guerra espalhada pelos quatro cantos da existência, o amor une improváveis amantes, guerreiros do Bem e do Mal. Um filho cimenta tal aventura que põe em causa o status quo bélico.
Perseguidos pelos diferentes mundos do universo, as histórias envolvem-nos tal como os acolhedores desenhos.

E no início

A primeira graphic novel?
Desenho cuidado e delicioso. Histórias com conteúdo moral, sempre actual. Leitura obrigatória para quem gosta de BD. Demorei a cá chegar...

1.12.15

Natal de 2015

Andei dois anos sem pedir nada ao Pai Natal. Ou melhor, pedia apenas uma prenda, que este ano chegou para mudar a minha vida, mas deixava tais desejos fora destas páginas.

Agora, porque não voltar aos velhos hábitos, e escrever a carta ao Pai Natal e ver o que é que ele consegue arranjar-me desta vez?

1.


Acima de tudo, calma e paciência para contemplar a vida e tudo o que dela podemos retirar.

2.
Para isso, Pai Natal, arranja-me lá mais e melhor tempo. Para gozar a família, os amigos, e investir em coisas positivas como ler mais, passear, fotografar, escrever, comer, beber, sentir o mundo. Ultimamente o relógio não tem sido meu amigo. Vamos mudar isso, ok?

3.
Já viste isto?!!

4. 

Ficava tão bem lá em casa, esta Eames Lounge Chair & Ottoman...

5.
Está na altura de fazer um upgrade. Que tal este?



Espreitando o futuro

Ainda não vi o filme (vou esperar que chegue ao videoclube), mas devorei com prazer o livro. 
«O Marciano», de AndyWeir, é uma sólida obra de ficção científica. Partindo da premissa de um astronauta ficar abandonado na superfície de Marte, e ter que usar todos os seus recursos com os escassos meios disponíveis para sobreviver, na esperança de poder ser resgatado, enquanto na Terra se inventa uma forma de o alcançar em tempo útil, o livro deixa-nos constantemente a espreitar a acção que se segue, tentando antecipar os problemas e soluções que se colocam a cada virar de página.
Lê-se num instante para quem, como eu, gosta de ficção científica. E deixa-nos ainda mais curiosos quanto ao filme. Veremos.

Viva, México

Mais um livro de Alexandra Lucas Coelho que nos expõe outro destino de viagem. Desta feita o México.
Ao contrário do Brasil, neste país a autora esteve apenas três semanas, e nesses curtos dias viajou de Norte a Sul revelando as disparidades de uma extensa nação. 
Mais descritivo, e menos vivido que o livro sobre o Brasil, por vezes cansa o leitor, tamanha é a quantidade de informação condensada nas suas páginas. Mas, ainda assim, não deixa de ser uma revelação e um cartão de visita para um país que merece uma visita. Desde que se fique  longe de Juarez, seguramente uma das zonas mais perigosas do planeta.

27.10.15

Mulher-a-dias

A mulher-a-dias faz dias
Que não vem
Perdeu conta às horas
E meses que um dia tem
E o tempo que passou,
Passou a ferro
E a roupa que lavou
Tingiu de negro
Viu o dia perecer
A dançar num vendaval
Como um pano amarrotado
Que se esquece
No estendal

Linda Martini

13.10.15

Zé Gato

A cidade é para fazer dinheiro
E se tu és um tipo inteiro
Vais passar um mau bocado
Vais ver o que custa não ser ouvido
No meio de tanto homem vendido
Em silêncio comprado

Quem és tu Zé Gato?
O que é que te faz correr
pelos cantos mais sujos, desta terra?
Tu já deves saber que mesmo quando vences batalhas,
Estás longe de acabar com a guerra
Quem és tu Zé Gato?

Mas tu és teimoso como um burro
Venha luva ou venha murro
Nada te faz desistir
A luta é de vida ou de morte
Mas a consciência é mais forte
E não te deixa fugir

Quem és tu Zé Gato?
O que é que te faz correr
pelos cantos mais sujos desta terra,
Tu já deves saber que mesmo quando vences batalhas,
Estás longe de acabar com a guerra
Quem és tu Zé Gato?

És mais um caso de solidão
Porque afinal poucos são
Os que se entendem contigo
E às vezes é num marginal
Que vais encontrar, encontrar a tal
Compreensão de amigo

Quem és tu Zé Gato?
O que é que te faz correr
pelos cantos mais sujos desta terra,
Tu já deves saber que mesmo quando vences batalhas,
Estás longe de acabar com a guerra

Quem és tu Zé Gato?

12.10.15

O Escultor

Esta graphic novel lê-se desde as primeiras páginas com uma ânsia para saber como findará. Pelo meio, toda a história cresce, ganha corpo, forma e enche-nos de simpatia pelos personagens. Queremos estar com eles, conviver com eles, sentir com eles. 
Os desenhos são magníficos e obrigam a uma segunda e terceira leituras para os contemplar. A escrita é muito cuidada e coerente, juntando com brilhantismo o real e o fantástico, introduzindo na narrativa uma série de temas que subtilmente nos fazem pensar sobre as circunstâncias e condicionantes da vida dos dias de hoje. Das relações à subsistência, da espontaneidade ao constrangimento, do mimetismo à originalidade. 
Adorei lê-la, este fim-de-semana.

3.10.15

Outono

O Outono está aí.
Sempre gostei do sol apenas morno, do frio a insinuar-se, das primeiras chuvas que lavam o mundo. 
E das castanhas, a tomar o lugar dos gelados.
Quentes e boas, como aconchego dos dias mais curtos.

Mais Brasil

Mantendo-me pelo Brasil, nada melhor que um pouco de Ruben Fonseca e os seus anti-heróis. Em "Axilas & outras histórias indecorosas" navegamos por entre contos onde se sucedem pessoas normais com pensamentos e acções extraordinários, e pessoas extraordinárias com pensamentos e acções nomais. Sempre com muita ironia, humor e surpresa, Ruben Fonseca anima-nos durante umas horas, pois que não é preciso muito tempo para devorar este livro. E ficar logo a pensar no próximo que iremos desbravar.

Vai, Brasil



Mais do que o retrato de uma viagem, em "Vai, Brasil" Alexandra Lucas Coelho oferece-nos o retrato de um país e do seu povo, com a proximidade de quem ali permaneceu muito mais que os dias de passagem que usualmente associamos a viajar.
Com a sua prosa de fácil leitura, descritiva quanto baste, Alexandra Lucas Coelho vai de Norte a Sul, Este a Oeste, num país onde riqueza e pobreza seguem caminhos diverentes, separando as gentes, a cultura, a vida. No meio da alegria e do desprendimento, da miséria, da cultura, da história, este livro permite-nos encontrar o Brasil dos nossos dias, e compreendê-lo de perto. 
Adorável o português assumido pela autora, próximo do brasileiro mas ainda assim tão europeu, mostrando que a língua portuguesa não está tão quebrada como muitos apregoam.
Lê-se de um fôlego. E quere-se logo mais.

12.8.15

Harry (Holy) Hole

O primeiro livro das aventuras do Inspector Harry Hole lê-se mais rapidamente que outras criadas mais tarde. Talvez porque a trama seja pouco densa, e a investigação à volta de um caso de homicídio não seja aqui esmiuçada como Jo Nesbo conseguiu fazer, nomeadamente a partir do "Pássaro de peito vermelho". 
Ainda assim, é nesta primeira aventura que se encontram chaves para melhor compreender o Inspector cujo percurso futuro andará sempre na corda bamba, dando-lhe a densidade e o passado que explicam a sua forma de ser e agir.
Posso dizer que é um excelente livro para férias. Ligeiro q.b., assegura umas horas de relaxamento físico e cerebral, sem deixar de nos provocar para tentar desvendar o enredo policial.

11.8.15

Miúdos

Lê-se rapidamente e com prazer este relato autobiográfico dos anos em que Patti Smith se descobria, ao lado de Robert Mapplethorpe. É o retrato de uma Nova Iorque a transmutar-se dos anos pós-guerra para o fenómeno hippie, alternativo, da poesia, das drogas, da música, do amor livre. Os anos de ouro da Fábrica, do Chelsea Hotel, do rock e da arte contemporânea. A prosa é fácil e cuidada, cativa e consegue levar-nos para aqueles cenários irrepetíveis.
Patti Smith, que veio para Nova Iorque à procura do seu futuro passa anos difíceis ao lado de Mapplethorpe, ambos procurando o reconhecimento que mais tarde veio a acontecer. O livro temina com a morte do artista. Patti continua por aí. Em Setembro actua em Lisboa.

22.7.15

05.07.2015

Vida nova.
Com um largo sorriso.