Quando criança, quando adolescente, vivi com receio que, um dia, a estupidez humana culminasse com a destruição da Terra, da Humanidade, da nossa milagrosa existência.
Eram os maravilhosos anos 80 e nem depois de uma calamidade desumana como foi a Segunda Guerra Mundial o mundo aprendeu a viver em paz. Seguiram-se guerras, constantes guerras, onde milhares de pessoas morreram, milhões sofreram e os países poderosos jogar ao Risco com as vidas de todos nós.
Cresci a pensar que o fim seria inevitável às mãos de um louco qualquer, de alguém indisponível para a razão, que cedesse à tentação megalómana de escolher entre si e o nada.
Depois veio um quarteirão de esperança. Durante vinte e cinco anos, mais ou menos, foi-nos permitido acreditar que a Humanidade aprendera alguma coisa. Aprendera que a lei do mais forte não valia, que a união faz a força e que os países e pessoas de bem conseguiam organizar-se para, abnegadamente, espalhar a paz e a concórdia, enfrentando os arautos da desgraça e o fazedores do caos, cada vez mais limitados nos seus meios quando comparados com os recursos daqueles que procuravam a estabilidade e o crescimento da espécie, ao mesmo tempo que promoviam a salvação do planeta.
E agora estamos nisto.
Cada um por si e o mais forte contra todos parece ser a palavra de ordem para o futuro próximo. Assim a modos que como no 1984 do Orwell, três grandes a controlar os pequenos...
A história do século XX mostrou o resultado de tamanhos desmandos. O Homem não sabe resolver as coisas a bem, gosta de subjugar aqueles que mais fracos são. Regra geral, os mais fracos têm sempre um trunfo a seu favor: os números. E quando o indivíduo se perde na massa informe dos subjugados e começa a ser empurrado para os seus limites, é como uma chaleira na qual a pressão aumenta, aumenta, até que o vapor irrompe numa explosão, numa expansão imparável. Por vezes catastrófica.
A ilusão dos 25 anos de esperança parece agora tão pequena. A sério... onde tivemos nós paz que permitisse ser optimista?
Segunda Guerra Mundial, Coreia, Vietname, Médio Oriente em diversas frentes numa disputa sem fim até hoje, Afeganistão, vários conflitos sem fim em África, Jugoslávia, Al-Qaeda, Iraque, ISIS, Ucrânia...
Droga, escravidão, pandemias, migrações, êxodos...
Há sempre gente a morrer. Sempre gente a matar. Sempre a mesma merda!
O surreal presente só evidencia como foi extraordinária a esperança vivida nos últimos anos.
Sem comentários:
Enviar um comentário