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10.3.16

Cibopata quê?

O detective Tony Chu consegue saber tudo sobre o que come. Por isso investiga trincando a torto e a direito, ainda que tenha que comer as vítimas... 
Num mundo louco, futurista, com as aves banidas da alimentação por causa das doenças, a polícia do tipo ASAE é toda poderosa. Cruzam-se pessoas com estranhas capacidades, e reforços cibernéticos numa divertida alegoria com desenhos cativantes e repletos de referências para os mais atentos.
Também já há três volumes em português.

FATALE

Também já estão disponíveis três volumes em português. 
Uma mulher que não morre corre o tempo arrastando para a desgraça os homens que consigo se cruzam e que não conseguem resistir à sua sedução. Entre o policial e o fantástico, com desenhos pesados, densos, negros, Fatale cativa por querermos adivinhar o que está para vir.

A saga do Bem e do Mal

Por ora temos três volumes, já disponíveis no nosso mercado.
A eterna luta do Bem e do Mal torna difícil perceber o porquê da sua existência. Já não há lados puros, e a guerra é sempre errada, independentemente dos pontos de vista. 
Pelo meio de uma guerra espalhada pelos quatro cantos da existência, o amor une improváveis amantes, guerreiros do Bem e do Mal. Um filho cimenta tal aventura que põe em causa o status quo bélico.
Perseguidos pelos diferentes mundos do universo, as histórias envolvem-nos tal como os acolhedores desenhos.

E no início

A primeira graphic novel?
Desenho cuidado e delicioso. Histórias com conteúdo moral, sempre actual. Leitura obrigatória para quem gosta de BD. Demorei a cá chegar...

1.12.15

Espreitando o futuro

Ainda não vi o filme (vou esperar que chegue ao videoclube), mas devorei com prazer o livro. 
«O Marciano», de AndyWeir, é uma sólida obra de ficção científica. Partindo da premissa de um astronauta ficar abandonado na superfície de Marte, e ter que usar todos os seus recursos com os escassos meios disponíveis para sobreviver, na esperança de poder ser resgatado, enquanto na Terra se inventa uma forma de o alcançar em tempo útil, o livro deixa-nos constantemente a espreitar a acção que se segue, tentando antecipar os problemas e soluções que se colocam a cada virar de página.
Lê-se num instante para quem, como eu, gosta de ficção científica. E deixa-nos ainda mais curiosos quanto ao filme. Veremos.

Viva, México

Mais um livro de Alexandra Lucas Coelho que nos expõe outro destino de viagem. Desta feita o México.
Ao contrário do Brasil, neste país a autora esteve apenas três semanas, e nesses curtos dias viajou de Norte a Sul revelando as disparidades de uma extensa nação. 
Mais descritivo, e menos vivido que o livro sobre o Brasil, por vezes cansa o leitor, tamanha é a quantidade de informação condensada nas suas páginas. Mas, ainda assim, não deixa de ser uma revelação e um cartão de visita para um país que merece uma visita. Desde que se fique  longe de Juarez, seguramente uma das zonas mais perigosas do planeta.

12.10.15

O Escultor

Esta graphic novel lê-se desde as primeiras páginas com uma ânsia para saber como findará. Pelo meio, toda a história cresce, ganha corpo, forma e enche-nos de simpatia pelos personagens. Queremos estar com eles, conviver com eles, sentir com eles. 
Os desenhos são magníficos e obrigam a uma segunda e terceira leituras para os contemplar. A escrita é muito cuidada e coerente, juntando com brilhantismo o real e o fantástico, introduzindo na narrativa uma série de temas que subtilmente nos fazem pensar sobre as circunstâncias e condicionantes da vida dos dias de hoje. Das relações à subsistência, da espontaneidade ao constrangimento, do mimetismo à originalidade. 
Adorei lê-la, este fim-de-semana.

3.10.15

Mais Brasil

Mantendo-me pelo Brasil, nada melhor que um pouco de Ruben Fonseca e os seus anti-heróis. Em "Axilas & outras histórias indecorosas" navegamos por entre contos onde se sucedem pessoas normais com pensamentos e acções extraordinários, e pessoas extraordinárias com pensamentos e acções nomais. Sempre com muita ironia, humor e surpresa, Ruben Fonseca anima-nos durante umas horas, pois que não é preciso muito tempo para devorar este livro. E ficar logo a pensar no próximo que iremos desbravar.

Vai, Brasil



Mais do que o retrato de uma viagem, em "Vai, Brasil" Alexandra Lucas Coelho oferece-nos o retrato de um país e do seu povo, com a proximidade de quem ali permaneceu muito mais que os dias de passagem que usualmente associamos a viajar.
Com a sua prosa de fácil leitura, descritiva quanto baste, Alexandra Lucas Coelho vai de Norte a Sul, Este a Oeste, num país onde riqueza e pobreza seguem caminhos diverentes, separando as gentes, a cultura, a vida. No meio da alegria e do desprendimento, da miséria, da cultura, da história, este livro permite-nos encontrar o Brasil dos nossos dias, e compreendê-lo de perto. 
Adorável o português assumido pela autora, próximo do brasileiro mas ainda assim tão europeu, mostrando que a língua portuguesa não está tão quebrada como muitos apregoam.
Lê-se de um fôlego. E quere-se logo mais.

12.8.15

Harry (Holy) Hole

O primeiro livro das aventuras do Inspector Harry Hole lê-se mais rapidamente que outras criadas mais tarde. Talvez porque a trama seja pouco densa, e a investigação à volta de um caso de homicídio não seja aqui esmiuçada como Jo Nesbo conseguiu fazer, nomeadamente a partir do "Pássaro de peito vermelho". 
Ainda assim, é nesta primeira aventura que se encontram chaves para melhor compreender o Inspector cujo percurso futuro andará sempre na corda bamba, dando-lhe a densidade e o passado que explicam a sua forma de ser e agir.
Posso dizer que é um excelente livro para férias. Ligeiro q.b., assegura umas horas de relaxamento físico e cerebral, sem deixar de nos provocar para tentar desvendar o enredo policial.

11.8.15

Miúdos

Lê-se rapidamente e com prazer este relato autobiográfico dos anos em que Patti Smith se descobria, ao lado de Robert Mapplethorpe. É o retrato de uma Nova Iorque a transmutar-se dos anos pós-guerra para o fenómeno hippie, alternativo, da poesia, das drogas, da música, do amor livre. Os anos de ouro da Fábrica, do Chelsea Hotel, do rock e da arte contemporânea. A prosa é fácil e cuidada, cativa e consegue levar-nos para aqueles cenários irrepetíveis.
Patti Smith, que veio para Nova Iorque à procura do seu futuro passa anos difíceis ao lado de Mapplethorpe, ambos procurando o reconhecimento que mais tarde veio a acontecer. O livro temina com a morte do artista. Patti continua por aí. Em Setembro actua em Lisboa.

13.6.15

Humor e sabedoria

"Posso dizer-vos a verdade? Quer dizer, isto não é um telejornal, pois não? Eis o que eu penso que é a verdade:somos todos toxicodependentes dos combustíveis fósseis em estado de negação. E, tal qual como os toxicodependentes que enfrentam um corte total, os nossos líderes estão agora a cometer crimes violentos para sacarem o bocadinho que resta daquilo em que estamos viciados."
Um olhar experiente e eloquente sobre os dias interessantes que vivemos.
May you live in interesting times!
Lê-se muito depressa. E é delicioso. Como diz uma amiga, "é de comer às colheres".

11.6.15

Morte, Conspiração, Mulheres e Úlceras

Mais um livro de Rubem Fonseca que se lê de um fôlego tal a qualidade da trama e do envolvimento histórico. Acompanhando o fim da presidência de Getúlio Vargas num Brasil mais parecido com um barril de pólvora, seguimos as desventura de um polícia torturado por uma úlcera no duodeno e a triste sina de ser honesto, no meio da generalizada corrupção.
O autor habituou-me ao seu jeito especial para contar histórias e compor personagens conseguindo criar laços que custam a cortar quando viramos a última página. Já tenho na prateleira mais uns títulos para explorar.

19.3.15

O filme abriu-me a curiosidade para ler esta autobiografia. E não foi por achar o filme assim tão bom, mas antes por pressentir que as coisas não estavam bem contadas. Especialmente depois de pesquisar na net sobre Chris Kyle e as circunstâncias da sua morte, algo que o filme deixou por explicar até porque era um caso aberto nos Tribunais americanos, e encontrar algumas discrepâncias.
Ora, lendo o livro, nele encontramos um militar desassombrado, com uma postura de dedicação à guerra para a qual foi treinado como elite das tropas americanas. E não encontramos as cenas chave de suspense do filme que, afinal, para este foram criadas. 
Em termos de literatura, o livro nada ensina. Para perceber a mentalidade do soldado americano enviado para o Médio-Oriente já é um retrato precioso. Não obstante o autor não ser um exemplo típico, já que a sua preparação e a especialidade da força que integrava estar muito para além daquilo que o comum militar, ou mesmo os marines ou os da 101.ª aerotransportada representam, é ainda um bom retrato de uma guerra recente. Uma guerra que nasceu da teimosia de um Presidente após um ataque sem precedentes (Bush e o 11 de Setembro) e que deu azo a alterações significativas na geo-política que ainda hoje se fazem sentir, pelas piores razões.
Não obstante a simplicidade da obra, gostei mais de a ler do que ver o filme. Este corre o risco de tornar Chris Kyle num mito que não traduz a verdade. As razões pelas quais será lembrado, em particular nos meios militares americanos, deverão ser as que objectivamente aconteceram, e aqui são descritas, e não aquelas que a ficção cinematográfica fez chegar a milhões, e continuará a fazer sempre que for exibida tal fita.

27.2.15

Pouca-Terra

Um livro de viagens, à antiga.
Tinha eu nascido havia pouco quando Paul Theroux embarcou num comboio em Boston com destino à Patagónia.
Cruzou rapidamente os Estados Unidos, entrou num México de outras eras e passou para uma América Central onde se brincava às ditaduras, aos regimes, aos governos que mais não eram que peças de xadrez de uma realidade mundial que pouco se preocupava com as pessoas.
O autor navega pelos carris conhecendo gente, histórias e dando-nos um retrato que, agora, é um belo pedaço de História.
São descrições de gentes e lugares que nos fazem pensar em partir e viajar, pois há tanto mundo para conhecer, mesmo nestes tempos de loucuras radicais.

Esta é uma viagem que apenas o comboio permitiria. O avião, o automóvel, afastam o viajante do mundo. Levam-no de A a B sem que se aperceba do que fica pelo meio. Paul Theroux fez questão de viajar sozinho e passando pelo mundo real, e não apenas pelo espelho mascarado das capitais.
Gostei de viajar com ele.

19.2.15

Comer e ficar com fome


A minha relação com a obra de Gonçalo M. Tavares é inconsistente. Quando o estou a ler, gosto do que tenho à frente. Entusiasmam-me as imagens, a linguagem,  a encenação.
Porém, duas semanas depois, não me lembro de nada do que li. 
Olho para a prateleira onde estão os vários livros deste autor e não consigo dizer, para qualquer um, qual a história que contam.
Nem mesmo esta recolha de contos que é "Histórias Falsas" e que acabei de ler há duas semanas. Tenho algumas imagens mas estão cada vez mais esbatidas. Sou incapaz de reproduzir a narrativa de um dos contos que seja.
Talvez a falha seja minha. Ou talvez seja suposto ser assim. Vibras no momento da leitura mas não reténs. Se quiseres, voltas a ler e a sentir.
Dito isto, ainda não sei se gosto do autor. Apesar de gostar de ler os seus livros. O que é diferente de gostar dos seus livros.
Este incluído. 

7.2.15


Trinta e cinco anos depois podemos saber o que foi feito de Christiane F. Não sem um laivo de voyeurismo, ou curiosidade mórbida, mas com a certeza que o fim do livro original deixava muito, aliás, tudo em aberto.
Ensina-nos a experiência que um junkie, para se libertar da droga, precisa muito apoio, que milagres não acontecem do nada, e que os consultórios dos psiquiatras e dos psicólogos estão cheios de vítimas da adição, seja ela a heroína, a cocaína, o álcool, a comida, o sexo, sei lá que mais.
Este livro mostra-nos isso mesmo. A vida de Christiane F. foi uma montanha russa de droga e sobriedade, de excessos e moderações. Porém, enquanto livro, este não tem, nem sequer se aproxima, da mística e da experiência que é ler o seu antecessor.
Para começar, não está tão bem escrito. Apesar de continuar a usar o discurso na primeira pessoa, a qualidade da peça jornalística que virou livro nos anos '70 não encontra eco à altura neste revisitar da drogada mais famosa da cena de Berlim.
Depois, Christiane F. já não é a jovem ingénua que se abriu sem reservas aos dois jornalistas Kai Herman e Horst Rieck, permitindo-lhes um relato avassalador. Agora, é uma mulher de 50 anos com contas a ajustar e a necessidade de contar a sua versão da história. Nota-se um discurso comprometido com a sua verdade e com a constante desculpabilização e até mesmo vitimização. Por muito que assuma os desmandos da sua vida, apresenta-se como tendo estado sempre sobre controlo. Mas, obviamente, não esteve. E continuou a consumir com regularidade ao longo dos anos, alternando períodos de degradação narcótica com outros de abstinência esperançosa.
Hoje, com a saúde arruinada, com uma idade à qual muita gente, incluindo ela, não pensou que chegasse, Christiane F. continua um exemplo para quem se aventura nas dependências. Para o bem e para o mal.
Quanto ao livro... houve momentos em que só com muito esforço se conseguia progredir. Não tanto pela história mas pela forma como está escrito. Sofrível.




3.1.15

O tempo muda o nosso olhar

O primeiro livro do ano foi uma revisitação.
Li-o pela primeira teria 11 ou 12 anos e serviu-me para perceber que o mundo da droga não era caminho que me agradasse. Tinha na vizinhança alguns exemplos de decadência humana, bem mais velhos do que eu, e revia neles as descrições ácidas e degradantes da heroína em Berlim, no final da década de 1970.
Reli-o mais tarde, estaria terminar o secundário. Então, já alguns "amigos" trilhavam os caminhos da droga. Na altura, para mim, fumar um "charro" ainda era uma transgressão demasiado perigosa e a facilidade com que estes circulavam levou-me a rever a história de Christiane F. com maior esclarecimento e capacidade para reconhecer as semelhanças entre aquela experiência berlinense e o que se vivia no início dos anos 90 em Portugal.

Passou-se a Faculdade, onde a droga apanhou algumas pessoas conhecidas. Mas não recordo ninguém caído no poço sem fundo da heroína. Esses, vi-os nalguns rostos conhecidos na terra onde cresci. Creio que foram morrendo de overdose ao longo do tempo. Um vizinho próximo, que contestara frontal e violentamente o irmão mais velho quando este fora heroinómano (e que entretanto recuperara uma vida saudável e integrada), tornou-se ele mesmo mais um agarrado atingindo níveis de degradação como nunca vira. Cheguei a desejar que tivesse uma OD para descanso dos seus pais, dos meus pais, de toda a vizinhança, de mim próprio. Não pensei muito nele, é certo. Porém, também ele, depois de uma década de degradação química, conseguiu tratar-se, sair do fundo do poço onde caiu, constituiu família, e hoje regressou à vizinhança onde leva uma vida livre do veneno da papoila.

Veio a vida profissional e já terão sido centenas, se não mesmo milhares, os agarrados que me passaram pela frente nestes 18 anos. Reler "Os Filhos da Droga" lembrou-me a evolução na estratégia de combate ao consumo. Do crime que deixou de o ser, da luta contra o traficante de rua que se transferiu para a luta ao fornecedor do traficante de rua, das terapias de substituição, comunidades terapêuticas, terapia de grupo, serviços de ambulatório, programas de troca de seringas muito foi feito, muito mudou. A intervenção social prematura, o esforço para evitar a criação de depósitos de pessoas como eram (e são) alguns bairros da periferia, muito se aprendeu e conseguiu fazer trocando a repressão pela educação.
O aparecimento de novas drogas, embelezadas pelo marketing de não causarem dependência ou a degradação visíveis na heroína fizeram igualmente com que esta droga fosse caindo em popularidade. Sem dúvida, o fenómeno da droga muito mudou desde há 40 anos. Mas as suas raízes, razões, fins... são reconhecíveis e transversais

Assim, muito mudou, mas este testemunho, que reli em poucos dias, mantém-se impressionante. Impressionante porque acompanhamos uma miúda de 12 anos em diante que entra num registo de prostituição para sustentar o vício, e que nos trás à memória a clientela que alimentou comércios como o revelado no caso "Casa Pia". Sim, muita gente cresceu achando-se legitimada para abusar de crianças de 12, 13, 14 anos, raparigas, rapazes...

Reler este testmunho, com o novo olhar de quem já passou dos 40 e ultrapassou as situações nas quais foi exposto ao fenómeno e por ele poderia ser tententado transformou a leitura. E abriu porta para o livro que se segue, "A Minha Segunda Vida", onde vou descobrir a vida desta mesma Christiane F., agora com 51 anos.

11.4.12

Veneza

Livro fantástico e delicioso.
Lê-se melhor na própria cidade.

4.3.12

Curtas

Passei pela FNAC e saí de lá com este livro na mão.

Lê-se num fôlego e é fantástico.