5.12.03

AMERICANOS

Li ontem no Público algo que me fez urticária. Não que fique surpreendido, mas irrita-me profundamente que os paladinos da democracia e das liberdades continuem a reger-se pelas regras instituídas nos tempo dos pioneiros, do s cow-boys e do far-west.
Segundo a notícia, o indíviduo que vai ser julgado como sendo o vigésimo terrorista do 11.09 que não chegou a embarcar no respectivo avião requereu a inquirição como testemunhas de três detidos em Guantanamo que, de acordo com a defesa, serão determinantes para que seja ilibado.
O Promotor Público (tipo o MP lá do sítio), opõe-se determinantemente, porque tal poderia por em causa segredos de Estado(?!!). Ainda assim, exige a pena de morte do arguido.
A Juiz que tem o processo em mãos, ao que parece, decidiu que assim sendo, o Promotor Público já não poderá pedir a pena de morte e ficará inibido de usar certas provas (olho por olho, dente por dente?). Ou seja, estão preocupados com tudo menos com a verdade.
Conclui a notícia que, a ser assim, ou seja, se o Juiz não fizer a vontade ao Promotor Público (e, como tal, ao governo), a Administração pondera passar a julgar os casos de terrorismo em Tribunal militar, onde são concedidas menos garantias aos acusados, e já não teriam que se preocupar com estes entraves.

Li igualmente que alguns dos defensores dos presos em Guantanamo foram afastados porque se insurgiram com os direitos concedidos aos presos, ou antes, com a falta deles, nomeadamente a falta de privacidade nas conversas entre advogado e preso. Com a maior das naturalidades, a decisão foi a de afastar os advogados que exigem os direitos dos seus clientes defendidos.

Brilhantes, os dois casos.
Que merda de sistema é aquele?
Ainda dizem que Portugal é pidesco?
Sinceramente, acho que, cada vez mais, os EUA são a verdadeira fonte de desestabilização internacional, porque parecem um puto mimado. Só fazem asneira, mexem onde não devem, incomodam os ninhos de vespas, em vez de os eleminar, e só querem a sua vontade satisfeita, sem se preocuparem com os outros.

É com este tipo de mentalidade que queremos alinhar?
Enfim, mas que sei eu disto?

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