11.5.09

Ousadamente rejuvenescido

Há muitos anos, era eu pequeno, pelo meu dia de anos, vim a Lisboa com o meu pai para irmos ao cinema. Terá sido o único filme que alguma vez vi no defunto cinema Eden: Star Trek, a Ira de Khan. Delirei com tudo nesse dia, até mesmo com a bifana que comi depois do filme, afugentando o frio e a fome que o final da tarde de Outono trouxeram e ganhando ânimo para a viagem de comboio de regresso a casa. Não vi no cinema mais nenhum filme do Star Trek. Aqueles que vi em casa, na televisão, despontaram-me. Assim como, pensando bem, toda a série original. Sempre fui mais adepto da "Next Generation", do Comandante Picard e do ser artificial Data, do Number One e dos holodecks.
Porém, agora, Star Trek bebeu da fonte da juventude e o resultado não podia ser melhor.
A escolha dos actores é quase perfeita, e neles conseguimos imaginar os jovens Kirk, Spock, McCoy, Sulu, Scott, Uhura, sendo o exercício apenas difícil quanto a Checov. A nave Enterprise passou por um ligeiro "changing rooms" e, mantendo a âncora nos velhinos cenários e modelos dos anos 70, surge agora animada dos melhores efeitos especiais e de uma actualização nos conceitos de imagem. Basta lembrar-nos que quando a série nasceu os computadores não estavam nos nossos telemóveis, reagindo ao leve toque no ecran, pelo que era preciso desenvolver o modelo à luz daquilo que vivemos no nosso dia-a-dia.
A história, coerente, é animada de acção, e está fiel aos princípios que nortearam todo o universo trekkie e, acima de tudo, tem o golpe de génio que permite dar rédea solta a toda uma nova sucessão de filmes sem as amarras de todas as histórias televisivas e do cinema. Não digo qual é para não estragar a surpresa a quem for ver o filme.
Filme que se vê num instantinho. Só não lhe dou nota máxima porque penso que poderá ainda ser melhor, no futuro, quando o enredo já não tiver que dar explicações. Quatro estrelas. A não perder pelos fans do género.

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